quinta-feira, novembro 03, 2005

Das origens da corrupção brasileira

Esta manhã, por acaso, em uma newsletter recebida pelo e-mail, li um artigo do professor Tom Coelho, intitulado “A Gênese da Corrupção”. O artigo discorria sobre um assunto interessante, dos porquês desta corrupção que assola nosso país, fazendo uma varredura completa, não só detendo-se nos "mensalões" e "valério-dutos", mas também retratando os cidadãos brasileiros comuns, sejam eles profissionais liberais, pequenos empresários ou camelôs.

Na opinião do autor, as justificativas dessa corrupção crônica, que atravessam os séculos, remontam do período da colonização do Brasil, que sabidamente foi amplamente povoado por degredados. Em outras palavras, aqueles que não eram bons o suficiente para permanecerem em Portugal.

Em contrapartida, na Veja, me deparo com uma entrevista de um cara barbudo, que agora não me vem o nome, que refutava a idéia de que a corrupção era um problema cultural. Que na verdade, o brasileiro médio, ou o brasileiro do “bem” não tolerava a corrupção, e que isso se tratava de uma questão de caráter da pessoa.

Sinceramente, esta visão me parece um tanto equivocada, levando em conta que existem diversos aspectos de uma cultura multifacetada, em que é extremamente complicado extrair o “homem médio brasileiro”, sem que incorramos em estereótipos baratos. Claro, que os indivíduos têm percepções diferentes, vêm de educações, culturas e vivências distintas. Mas é inegável a força do contexto social, político e cultural exercida sobre ele.

Primeiramente, acredito que nenhum dos dois tocou no cerne da questão. Mas bem, vejamos, não posso negar, sempre tentando fugir das generalizações, que o senso comum que cria a “média” do nosso povo apresenta características, expressas no dia a dia, que nos fazem crer que nosso povo sempre tenta tirar vantagens, sejam de situações pequenas, como passar no sinal fechado ou furar a fila, ou nos grandes casos de corrupções.

Como questiona o professor em certa altura do texto, “Qual a diferença entre o deputado que recebe o mensalão e o síndico que embolsa uma comissão sobre o valor de um serviço contratado?”. E assim por diante, ele enumera diversos exemplos de atitudes, como profissionais liberais que sonegam impostos, serviços prestados e produtos vendidos sem notas ficais. Eu tento responder a pergunta, sem querer defender as motivações que levam aos atores praticarem estes atos. Certamente, tanto o deputado quanto o síndico não morrerão de fome se não se apropriarem destas quantias. Uma fabulosa, outra nem tanto, dependendo da natureza do serviço e do percentual obtido.

Em primeira instância, só para ilustrar o caso do deputado com as demais categorias, e coloco as categorias mais baixas mesmo (não o síndico do prédio) fica evidente que é muito mais imoral, a situação de um cidadão que ganha em torno de R$ 12.000,00, além de outras vantagens fáceis advindas do cargo que detém, contra outras situações em que o ganho é menor, e a motivação também não pode ser considerada nobre, mas pode ser comparativamente avaliada como “menos corrupta”, se é que existe uma ação menos ou mais. Eu considero que exista.

Este nobre representante da sociedade, que o elegeu e remunera-o extremamente bem para desempenhar sua função legislativa, de forma independente e defendendo os interesses daqueles que confiaram nele, é subornado por R$ 30.000 mensais para votar junto com o governo. Será que podemos colocar no mesmo nível esta prática com crimes ou contravenções praticadas pelas classes médias e pobres do nosso país? Será que dá pra notar alguma diferença?

Os últimos- não digo todos- se defendem de um sistema injusto, e pesado no aspecto tributário e fiscal, que suga as vísceras de cidadãos, que se tivessem as condições e as oportunidades de viverem sob a égide da boa conduta moral, certamente, o fariam. Mas como contrapartida, deveriam ter um Estado que asseguraria isonomia, tratando todos os cidadão como iguais perante à lei. Punindo os infratores, sem distinção de raça ou classe econômica.

A liberdade, valor supremo e direito inalienável, conquistado desde o dia em que nascemos, deve ser exercido com total responsabilidade. Quando escolhemos valores e princípios que norteiam a nossa conduta, elegemos esses valores como corretos para toda humanidade, e o ser humano só pode se considerar livre, quando exerce aquilo que é bom pra si e que deve ser para os outros também. Do contrário, ele está mascarando sua liberdade. Agora quando o ser humano é posto sob situações limítrofes, em que o exercício do legal e moral contrapõem seus estados de sobrevivência e dignidade, não o condeno totalmente por escolher a segunda opção.

Quando nos deparamos com um ser abstrato, intangível, mas que sem dúvidas afeta todos os atos de nossas condutas no cotidiano- me refiro ao Estado- e este só nos cobra deveres e não nos assegura os direitos mais básicos, direitos que estão previstos na nossa constituição, pergunto: “será que o exemplo tem que ser dado por quem está na base da pirâmide ou no topo?”. Mais uma vez, não estou querendo justificar, talvez apenas entender e amenizar uma situação em relação à outra, pois inegavelmente as naturezas das ações são bem diferentes. Nem sempre, mas em muitas vezes, o ato imoral é uma escolha de questão de sobrevivência. É o refúgio de uma sociedade vilipendiada, conhecedora da impunidade dos atos ilícitos, que busca um mundo paralelo, talvez não digno, mas possivelmente um pouco mais justo. Não importa o tamanho do delito, estas práticas vão se consolidando ao longo dos tempos, passados de geração para geração. Quando nos damos conta, nem sabemos por que estamos agindo desta forma e nem nos damos conta de que estamos incorrendo na ilegalidade. Não sei se todos, mas a maioria, na minha opinião.

Pra mim fica claro, que boa parte das causa da corrupção sistêmica é cultural. É cultural e disseminada por aqueles que são os agentes com mais possibilidade de transformar o Estado, em prol dos menos favorecidos, ou dos nem tão menos favorecidos. A cultura não é só formada de cima para baixo, mas as decisões dos "de cima" estimulam as reposta dos que vêm "de baixo" para cima, numa relação de causa e efeito.

Esses dias, li uma frase pichada num muro que retratava bem esta condição: “Nosso bonde é o pesadelo que vocês próprios criaram”.

Se o determinismo genético fosse o responsável pela as ações corruptas do “main stream” da nossa sociedade, será que os degredados britânicos seriam melhores que os degredados portugueses? Aliás, que interessante mote para uma campanha de turismo: "venha para Inglaterra, nossos marginais são mais civilizados que os de outros países".

Então fica a pergunta: “por que nos comportamos desta maneira?”. Primeiro ponto a ser levantado é de que a corrupção não é apenas um mal que apenas afeta as nações do terceiro mundo. Ela está presente em países do primeiro mundo, como Itália, Japão e outros. Até na Austrália - a prova de que até os "marginais" podem construir uma sociedade próspera -, certamente, acontecem casos de corrupção em menor ou maior grau.

Mas a questão é que nosso povo é notadamente conhecido internacionalmente por esta característica nefasta e também se reconhece assim, de forma autocrítica. Mas a pergunta que não quer calar: ”Por que a Austrália não tem essa mácula marcada no painel de suas desvantagens comparativas entre as nações?”.

Posso estar equivocado, mas ao que me consta, o sistema de colonização na Austrália não foi tão exploratório como o brasileiro. Não ousaria fazer esta afirmativa categórica, acho que demandaria uma pesquisa maior. Mas vamos considera que isto seja verdade.

Desde o dia e que Pedro Alvarez Cabral, ou quem quer que tenha pisado em terras brasileiras, o futuro do nosso País já estava selado, seria a galinha dos ovos de ouro da coroa portuguesa, e quando não houvesse mais o que expropriar o que seria desse País?

Acredito que os que fincaram raízes acabaram seguindo os exemplos dos gestores anteriores. A voracidade tributária do Estado foi sendo cada vez mais implacável e certeira. Um jogo de interesses, onde quem pode mais joga com as regras do poder. Os mais fracos se defendem com o que têm. Imoralidade praticada por diversos segmentos da sociedade, com exemplos repetidos. E talvez daí, surgiram as bases desse sistema crônico de corrupção, indevidamente utilizado como justificativa para que nossos políticos possam roubar sem um pingo de culpa.

Só sei que acredito em uma coisa: determinismo genético não compromete uma sociedade, não desta maneira fatalista, que alguns insistem em divulgar. Não são as raças, muito menos os genes, que definem as características de um povo ou uma nação. Mas sim sua cultura, que é influenciada e formada por diversos fatores, de uma maneira complexa, sem que generalizações simplistas possam explicar atitudes e comportamentos que são praticados durante séculos.

terça-feira, novembro 01, 2005

Kafka no funcionalismo público

Ultimamente, tenho me sentido como um personagem de Kafka. Quem lembra do personagem Gregor Samsa, em "Metamorfose"? O contexto não poderia ser mais propício para se desenvolver dentro de organismos gigantes viciados, que parecem ter vida própria. Sim, estou falando da máquina pública, este "sangue-suga" do Estado.

São tantos despautérios que observo aqui do meu cubículo organizacional, e não só daqui, vistos os favores praticados pelo ministro do STF, que os sentimentos de indiguinação acabam sendo amortizados pela rotina estúpida, desequilibrada e enfadonha à qual tenho sido submetido ultimamente.

Tenho me sentido como inseto dentro desta opressão burocrática, uma barata mesmo, que assiste tudo passivamente – mas que precisa se revoltar contra este estado de espírito subjugado - como se meu destino fosse ficar inerte no meio deste gigante ineficiente, que insiste em rir da minha cara e de todos os outros que ajudaram-no a se erguer. Não quero cometer generalizações, mas acho que todo burocrata público tende a virar um inseto insignificante, sem vontade de reagir, talvez nem notando o que se passa a sua volta, ou por outro lado, um inseto de maior envergadura, mais astuto e com objetivos bem claros e definidos: obter vantagens, se alimentar do "gigante bobalhão", que vez por outra passa mão pelas pernas, tentando afastar os usurpadores de seu corpo.

Não quero fazer generalizações, mas a crítica de hoje vai para o funcionalismo público mais escroto que existe: o judiciário. Não quero fazer apontamentos para os agentes administrativos, pertencentes às camadas mais baixas da pirâmide hierárquica, meu repúdio vai para os "sábios da ineqüidade", estes palhaços travestidos de homens do poder público, que não passam de parasitas da sociedade. Com estes não se podem fazer comparações com as baratas, seria uma ofensa a categoria deste insetos, que na vida real nos causam repulsa. Se parecem mais com aranhas, escorpiões, insetos peçonhentos, ou quem sabe com carrapatos, pois nos sugam até a última gota.

O fato mais inusitado desta semana foi à transferência do feriado do funcionário público – será que já pensaram em fazer o feriado do funcionário da iniciativa privada? Para emendar com outro feriado, o de finados, que caíria numa quarta-feira, eles transferem para uma terça e agregam mais a segunda-feira. Bonito isto? Vocês não acham? Será que eles aprenderam estas artimanhas nos bancos acadêmicos?

Sei que pode parecer uma posição mesquinha e invejosa, afinal, quem não gosta de esticar um final de semana na praia, ter mais uns dias pra se livrar da rotina estafante do trabalho semanal? Mas qual o preço disto tudo? Qual o custo para sociedade? Estes agentes públicos estão defendendo os interesses da população, não seus interesses individuais. Os culpados são os decisores, não aqueles que apenas acatam as decisões. A corporação ganhou uma dimensão tão grande, que ela tem como prioridade o fim em si mesma. Como se aposentados, trabalhadores atrás de seus direitos, tivessem que esperar pelas folgas e caprichos daqueles que deviam zelar pelos nossos direitos.

E quem acaba levando a fama? Justamente as “baratas”. Aqueles que cumprem rotineiramente suas funções, que também fazem a linha de frente, mas paradoxalmente, aos poucos, vão se tornando quase imperceptíveis dentro da estrutura burocrática opressora. Já os isentos peçonhentos, estes sim, são imperceptíveis mesmo, pois são praticamente invisíveis. Estes agem de má fé e são intocáveis. Ganham os maiores salários da administração pública, se queixam de barriga cheia e ainda prolongam seus feriados, como se pertencessem uma família real da mais alta linhagem, ou semi-deuses, um poder mais supremo que os outros, contrariando substancialmente as teses defendidas por Montesquieu, que preconizava o equilíbrio entre os três poderes.

São por estas e por outras, que cada vez mais, tenho vergonha de ostentar o cargo de servidor público.

quinta-feira, agosto 18, 2005

A palhice organizacional

Eu e um colega meu criamos um novo conceito para as organizações: A palhice organizacional. Pra quem não é gaúcho, especialmente portoalegrense, a gíria “palha” siginifica não só ruim, mas coisa enfadonha, chata, aborrecedora e por que não burocrática (no sentido mais pejorativo da palavra) ?

Verifica-se este diagnóstico especialmente na administração pública. Reconhecidamente burocrática em sua essência, a evidencia clara do "status palha” deve-se aos "processos palhas”, também reconhecendo os condutores destes processos, os "homens organizacionais palhas”.

Muito mais do que meros burocratas de carteirinha ou exímios carimbadores, os “palhas” são os rasos, os rasta cueras de uma organização. Aqui não se trata de um preconceito, porque não estou falando apenas da educação escolar ou acadêmica do ser em questão. E sim, sua conduta perante ao trabalho e sua vida como um todo. Ainda que não possamos negar que a formação intelectual de uma pessoa pode estar relacionada com o maior tempo de anos escolares. Mas mesmo assim, até um doutor pode ser tornar um "homem organizacional palha”, quiçá social.

Realmente, estaria dando uma de determinista rotulador comum, assim como os especialistas do “metrossexual” e “retrossexual”. A mensagem aqui, não é rotular os seres como “palhas”, ou dar uma de sociólogo, mas identificar comportamentos e atitudes medíocres perante a vida profissional, social e por que não intelectual. Exatamente, intelectual. Me irrita profundamente um ser que se conforma com sua condição organizacional e social, sem se questionar os porquês das estruturas burocrática e social que cercam a sua volta.

O grande mal disso tudo, é que o "ser palha” é, na maior parte das vezes, contaminado pelo ambiente organizacional. Convivendo com os rasos na sua volta, ele acaba se tornando um deles. Só sua auto-crítica e sua consciência aguçada poderão o salvar das mazelas produzidas pelo meio. É preciso deixar o conformismo de lado e se entregar na busca incessante do crescimento profissional e social.

Como? É difícil. O projeto “Quero ser Barnabé” traz ganhos em relação estabilidade, salário razoável e pouco ou nenhum esforço laboral. Lembrando sempre que as organizações privadas não estão livres deste mal. Como tudo na vida, ou quase tudo, sempre existe o bônus e o ônus. Agora, algo pode ser afirmado, a simples identificação da "situação palha” já é meio caminho andado para as mentes que não se conformam com o lugar comum e com pessoas comuns. Por favor, não me tomem por preconceituoso. Eu mesmo, confesso, já estou me tornando um “deles”.

Mas como diria o guri que enfrentou o Van Dame, “No retreat, no surrender”.

terça-feira, julho 26, 2005

Rotulismos Baratos

Ultimamente, ou há algum bom tempo, venho notando a necessidade imperiosa que certos setores da sociedade “modernosa”, principalmente os veículos de comunicação, de rotularem grupos. Tipo, os punks, os jovens, os de direita, os burgueses.

Na maioria das vezes, esses substantivos jogados ao vento não representam uma categoria por inteiro, nem parte dela. É como catar um de um universo de mil ou milhões. Não se trata apenas de rótulo, mas de uma forma de querer atribuir um comportamento ou uma tendência a um grupo. Ou seja, a sociedade tem que estar dividida em grupos. Com que fim? Podem ser vários.

O primeiro que vem na minha cabeça é mercado. Sim, o mercado, a maneira como as organizações, ou melhor, aqueles que fazem a sua comunicação ou marketing, tentam coletar uma informação, processa – lá e devolvem-na forma de comunicação de massa, promoções e etc. São os famosos targets, os nichos de mercado. E aí criam motes estúpidos. Diria até mais, viram sofismas. Geralmente, esse determinismo mercadológico não vem acompanhado de base científica séria.

Sinceramente, alguém pode pensar que eu seja mais um destes que odeiam publicitários ou pessoas do “meio”. Não se trata de inveja e muito menos recalque. Eu como administrador, com ênfase em marketing, de alguma forma pertenço ao “meio”. A parte do “meio” mais obscura, os “pensadores do mal”. E sem sombra de dúvidas, a área do conhecimento em que eu me formei, de alguma forma, é responsável pela disseminação destes conceitos generalistas. Aliás, eu não quero que me digam: “Vocês, os administradores”. Além de administrador, eu exerço antes, ou ao mesmo tempo, n papéis sociais, como torcedor colorado, fã do ramones, jogador de xadrez e etc. Max Weber já dizia.

O que me irrita mesmo, é que alguém queira traçar um perfil detalhado de um milhão de pessoas. Vamos traçar um perfil: “O bacharel em administração, entre 24 a 30 anos, é um pessoa que lê a revista Exame, ouve som Hard Rock, se veste como “mauricinho” e gosta de sair no Café do Prado”. Vocês me entendem? Este tipo de coisa me irrita profundamente. Querer determinar o perfil e o comportamento de uma pessoa a partir de uma característica. Tudo bem, eu acredito nas pesquisas de mercado, nos focus groups, em outras ferramentas do Marketing. Afinal, eu escolhi essa naba a fim de trabalhar com isso.

Agora, vejamos. Alguns conceitos são tão idiotas, que você provavelmente nunca se deparou com alguém com este rótulo. O mais idiota de todos: “metrossexual”. Conceito originado de David Beckham. Homem vaidoso, que não tem vergonha de se assumir como tal, usa cremes, usa roupas “descolodas” e não se importa que o chamem como tal. Ok, talvez o David Beckham seja um metrossexual. Mas e aí? Agora tu tens que encontrar um cara na rua e dizer: “Olha lá, aquele cara é metrossexual”. Claro que eu já fiz isso, quem nunca fez? Da mesma forma que a boa parte das pessoas- ou melhor, algumas que eu conheço pra não cair em generalizações- olham o cara na rua e o apontam como homossexual. Tudo bem, isso é natural, faz parte do bom humor, das gozações. Não quero ficar bancando o velho moralista. Estereotipar por humor faz bem a saúde.

Não quero ser sisudo ao ponto de me revoltar quando as pessoas falam neste termo. É usual, eu confesso que uso. E também não esbravejo quando alguém utiliza rótulos. Até porque seria muito chato se comunicar sem utilizar estereótipos. Até se a gente pensar em nazistas, comunistas, ou quer tipo de “ismos”. Muitos gostam de serem “tipificados” em categorias. Tudo bem, cada um, cada um. É um direito de todos.

Vamos ao ponto que me interessa. O que é ridículo são os jornais, os telejornais, as revistas fazendo matérias, identificando grupos. Olha essa: Agora existe o retrossexual. O metrossexual ainda era aceitável, mas o retro? Pelo que dizem os “especialistas”- só não sei especialistas em quê- dizem que este é o oposto do metrossexual. É o machão que se barbeia com pincel e creme bozzano em tubo, vai no “barbeiro”- eu também vou no barbeiro, viu?-, usa ternos cinzas e escuros e não é vaidoso. Vamo para de brincadeira, ninguém é Ogro ou “boneca delicada” na décima potência. O cara não pode ser uma mistura dos dois, ou milhão de misturas de coisa alguma? Estes extremos não existem, não dá forma que “eles” querem nos aplicar “Mas quem são eles? Você está se contradizendo Garoto Enxaqueca!” “Eles” são os jornalistas, ou melhor um ou dois, ou a Associação do Jornalistas Rotuladores.

Sim, vou ser um pouco generalista. São os caras que entrevistam os gerentes de marketing ou de relações institucionais e como precisam vender algo em forma de matéria, criam esses “bordões” horrorosos, querendo empacotar a sociedade em estereótipos. Porra, vocês entendem onde eu quero chegar? Nada pessoal, viu? Mas é que com o retrossexual, “vocês” foram longe demais. Aliás, eu odeio quando alguém fala “vocês” e depois diz uma coisa que nem todos os membros daquele grupo o fazem. Esses dias eu ouvi que existe o alfa sexual. Mas não entendi direito, nem faço questão.

Abaixo as generalizações.

segunda-feira, junho 27, 2005

Manhã de segunda-feira

Existe coisa mais melancólica do que uma manhã de segunda-feira? Talvez o domingo de noite, logo antes de começar o fantástico.

A rotina é a mesma de sempre: 7:40 eu levanto, 2 minutos pra se situar no mundo, chego a pensar “E se eu não for?”. Respondo pra mim mesmo “Nada vai mudar, nem vão sentir a tua falta, a mãe liga dizendo que tu ta doente, que nem na época do colégio”. Mas não, um moralismo exacerbado dentro de mim me manda ir. De 5 a 6 minutos pro banho, uns 5 pra se vestir, mais 10 pra se alimentar. Mais 5 pra procurar celular, carteira e chaves. Desço pra garagem, entro no carro e coloco o som. Tiro o carro da garagem e vou em direção do trabalho. Chego ao destino. Entro no prédio, dou “bom dia”, entro no elevador e aperto no 9. Chego no andar, saio do elevador e empurro a porta de vidro. Dou “bom dia” pra recepcionista, ela me devolve a saudação. Abro a porta, são 8:39h, meus colegas já estão nos seus postos, digo “bom dia”, não muito convicto de que seja um bom dia, mas eles mesmo assim retribuem “Bom dia”, menos o chefe que só chega das 9:30h em diante. Tiro o casaco, coloco na cadeira. Ligo o computador. Vou buscar café; funcionário público sem café não é um verdadeiro barnabé. Abro os e-mails, nenhuma mensagem pra mim, só spam. Checo as notícias na internet. Mais um longo dia pela frente. Mais uma semana sem novidades. Essa foi de cortar os pulsos...rsrs

sexta-feira, junho 24, 2005

O ócio organizacional

A irritação toma conta do meu ser. Deve ser a falta do que fazer. A gente percebe isso, quando começa a se irritar com detalhes insignificantes, como os ruídos do ambiente, as piadas infames e tudo mais. Enfim, coisas que não deveriam tomar tanta importância. Estou num dia amargo, confesso.

Já disseram que o ócio pode ser criativo, e que as empresas deveriam incentivar seus funcionários na prática deste ato, como forma de render e contribuir mais para a organização. Mas o ser organizacional ocioso, antes de tudo, deve buscar maneiras para que seu ócio se torne assim. Caso contrário, o ócio acaba sendo infastiante, mesmo que se arranjem duzentas mil maneiras de passar o tempo e pensar em prol de melhorias para a organização.

Hoje em dia, qualquer computador conectado em rede de alta velocidade oferece uma gama de alternativas maravilhosas pra passar o tempo. Se sua empresa não for daquelas rigorosas que bloqueam tudo ou quase tudo, podemos ficar no msn conversando com amigos e colegas de trabalho, vasculhar pelo orkut personagens do passado, comunidades do passado, jogando joguinhos, lendo artigos interessantes e decifrando enigmas. Mesmo que não tivesse conectado em rede, ainda existe a paciência pra jogar no Windows.

Agora, uma coisa deve ser levada em conta: Quando a pessoa não enxerga um objetivo no trabalho, quando teus chefes não determinam ordens claras e precisas, o ser organizacional entra em profunda frustração, pelo menos eu. Não existe pauta de assuntos prioritários.

Uma área estratégica é sedutora pela oportunidade de exercitar o intelecto, fazer avaliações e proposições, definir conceitos e atribuir competências. Ao contrário de uma operacional, em que as pessoas agem como robôs, fazem tarefas automáticas, e nem ao menos as questionam.

Só que a área pública estratégica acaba se tornando uma verdadeira piada, quando não é implementado nenhum tipo de metodologia de trabalho. As coisas são feitas a “bangu”, e uma área que foi criada com o intuito de formular maneiras mais eficazes na condução dos fluxos dos processos, acaba virando uma área como as outras, ou quem sabe, até pior.

Muitos “escravos organizacionais” me jogarão pedras e vociferarão contra minhas insatisfações vaidosas e dirão: “Quem não gostaria de uma boquinha dessas?”, “Troca comigo pra ver como é bom”, “Você deveria ser um funcionário pró-ativo”. Esta última é a melhor, um dia ainda me deterei sobre este tópico.

Acredito que é muito pior trabalhar num lugar hostil, onde tiram o teu coro e tu tens que agüentar chefes grossos e mal humorados. Acreditem, já trabalhei em lugares assim e, sem sombra de dúvidas, prefiro esse tédio organizacional.

Mas será que não existe o meio termo? Um trabalho decente, onde tu te realiza, ganha e bem e convive com pessoas inteligentes e agradáveis? Acho que não. Estamos fadados a que uma de nossas lacunas motivacionais laborais nunca seja preenchida.

quinta-feira, junho 23, 2005

O porquê de um blog

Nada como uma tarde monótona para surgir dentro do ser a motivação de começar um blog. Sempre achei essa história de blog coisa de mulherzinha, ou quem sabe, coisa de desocupado. Certamente, a segunda hipótese parece ser a mais provável, quando dentro do meu cubículo organizacional me deparo com as majestosas margens do Guaíba- apenas permitam-me contemplá-las desta forma- , num lindo dia ensolarado de inverno, me remetendo aos bons tempos, em que tudo que a gente precisava era uma boa cama quente, tirando sesta durante o Jornal Hoje e o Vale Pena Ver de Novo, esperando ansioso pela sessão da tarde.

Bom, mas tudo isso não vem ao acaso. É certo, ou quase certo, que em algum tempo, mesmo que longínquo, haverá um ser incauto no universo que descobrirá esse monte de frases desconexas, numa tarde ensolarada qualquer, ou não, em um momento de relativa monotonia, vagando pelo vasto mundo cibernético, procurando o porquê disso tudo que está a nossa volta.

Aos que esperam textos bem escritos, sacadas engraçadas, dicas de beleza e receitas milagrosas para viver eternamente feliz, já vou avisando: Este não é o lugar, pelo menos por enquanto. Na verdade a coisa toda não tem um propósito, são só elucubrações e pensamentos imperfeitos de um mero barnabé, absorto no “9 to 5 world”, querendo entender o porquê de todos os mistérios que cercam a nossa insignificante existência no cosmos. Momentos nostálgicos nos acompanharão, situações bizarras serão vivenciadas, mas a pergunta nunca irá calar: “Por que estamos aqui”?

Por isso “sangue bom”, não me culpe pelo lixo que jorra na sua tela, ninguém te pediu pra achar.

“Go ahead puk, make my day” – Dirty Harry